venerdì 23 agosto 2024
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giovedì 22 agosto 2024
UMA RELAÇÃO PROIBIDA - Primeiro capítulo
A Melody é uma rapariga com vinte e três anos, acabou de ter a sua licenciatura com a máxima nota e sonha tornar-se uma professora do liceu. Todavia é contrariada pelos seus próprios progenitores que a veem frágil demais, pequena e com um semblante tao angélico até para assemelhar a uma bonequinha que a um mastim capaz de obter respeito de estudantes que têm poucos anos amenos do que ela. Depois de continuas brigas com o pai, no fim a Melody obteve um cargo como professora num liceu bem diferente daquelas escolas prestigiosas e respeitáveis a que está habituada. A situação que irá deparar com ela será difícil para afrontar e o único apoio que parecia ter encontrado num colega, o Shane Mallory, no fim revelar-se-á um grande erro porque o tal jovem não é outra coisa que um dos piores estudantes da escola embaraçada por aquele equivoco, encontrar-se-á arrasada pelo interesse do rapaz, que nutre desde logo por ela uma autentica obsessão, tanto até para instiga-lo a comportamentos comprometedores para a Melody e atirar pelos ares todas as boas intenções da jovem. Entre beijos roubados, inconfessáveis declarações de amor e encontros secretos noturnos, conseguirá a Melody colocar uma barreira entre eles? Ou então conseguirá o Shane tornar a Melody sua?
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«Melody, não te dás conta do que dizes!» Explodiu o meu pai como de costume todas as vezes que se falava dos meus projetos profissionais futuros.
«Papá, por favor. Tenta perceber-me! Eu
quero ser professora. Desejei ensinar desde o meu primeiro dia de escola. Amo o
ensino! Desejo apenas poder fazer o que sinto no coração e ter o teu apoio»
Supliquei tentando frear a raiva que me ofuscava a mente todas as vezes que me
encontrava defronte da sua parede de desaprovação.
«Sim, mas não uma professora do liceu!
Melody, és muito jovem e inexperiente para o mundo da adolescência liceal.»
«Posso ser jovem, mas não sou decerto
inexperiente dado que fui sempre a primeira da turma. Fiz a minha licenciatura
na Cornell University graças à bolsa
de estudo, em apenas quatro anos e saindo com a Summa Cum Laude.»
«Minha querida, o teu pai não pretende pôr
em discussão a tua preparação escolar. Tu nos deste sempre grandíssimas
satisfações e o teu pai sendo diretor do liceu mais prestigioso de Nova Iorque,
aquele que frequentaste para ser preciso, obviamente, estamos extremamente
orgulhosos por ti. Todavia...» Interveio a minha mãe com a sua habitual atitude
de pacificadora. «Melody, tu és uma dulcíssima rapariga, formidável e cheia de
talento mas pouco apropriada para desempenhar um papel de género.»
«Por quê?» Descarreguei a cólera ofendida.
«E ainda ousas perguntar?» Intrometeu-se
novamente o meu pai furibundo. «Melody, olha só para ti! És o retrato da
mocinha indefesa. Não certamente do mastim pronto para fazer-se respeitar por
rapazes com as hormonas endoidecidas e capazes de te ameaçar fisicamente sem a
mínima dificuldade.»
«Sou capaz de me defender!»
«Não colocamos em dúvida, minha querida, mas
tens de reconhecer que o teu semblante angélico seria mais adequado numa
creche. Mesmo a tua escassa altura não é-te de ajuda. Sem contar que tens
apenas vinte e três anos...poucos mais de um liceal que está no último ano.»
Alinhou a minha mãe cauta e tentando esboçar um sorriso afável para me acalmar.
Mordi-me o lábio inferior pelo nervosismo. A
minha mãe tinha razão, infelizmente. Os meus cento e cinquenta e cinco
centímetros de altura fizeram-me passar várias vezes por uma rapariguinha do
ciclo preparatório onde fizera um estágio no ano precedente. Por isso procurava
calçar sempre sapatos com salto alto quando trabalhava, mesmo fazendo deste
jeito levantara algumas polémicas e acusações de exibicionismo e narcisismo no
que me diz respeito.
Infelizmente no meu caso não bastava um
salto doze para parecer maior uma vez que tinha um aspeto um pouco juvenil com
os meus cabelos castanhos, ondulados, compridos e sempre desgrenhados, os meus
olhos graúdos e verdes e por fim a limpadela de lentigem no meu nariz para cima
que me deixava assemelhar a uma boneca de porcelana.
Para além do meu aspeto franzino e minúsculo
não incutia decerto medo ou temor. Além do meu nome...Melody! Não podiam
chamar-me Olga, Hadmunt ou com qualquer nome alemão com uma assonância dura?
Não fora fácil granjear respeito dos rapazes
aos quais ensinara e no fim sentia que para eles fora sempre mais uma amiga do
que uma professora. Todavia conseguira granjear o justo respeito dos meus
alunos e estava convencida de que num liceu não haveria diferenças.
«És apenas uma coitada iludida, Melody! Os
liceais têm a partir dos quinze aos vinte anos. Tu tens poucos mais. Como achas
que vais granjear respeito dos teus coevos aparentemente. Alguns deles parecem
mesmo maiores fisicamente relativamente a ti.» Continuou o meu pai que sabia
perfeitamente o que me aguardava, sendo ele diretor do ilustre NY High School há pouco mais ou menos vinte anos.
«Com um pouco de maquilhagem e um vestuário
mais sério e profissional, ninguém poderá confundir-me de forma alguma por um
estudante.» Rebati ganhando em troca a sua risada sardónica. Como o odiava
quando fazia desse modo!
Por que não podia apoiar-me e basta?
«E está bem!» Suspirou depois de um demorado
momento de silêncio.
«Está bem o quê?» Perguntei suspeitosa.
«Irei arranjar um lugar como assistente ou
estagiaria num liceu, se é isto o que queres.»
«A sério?» Exclamei desfalecida.
«Tens a minha palavra, mas aviso-te: esta
será a tua primeira e última possibilidade de me demonstrar que és feita para
este trabalho, se fracassar, terás que jurar para mim que iras parar de
insistir com esta tua loucura.»
«Ok está bem. Dar-me-ás a oportunidade de
trabalhar no teu liceu?»
«Absolutamente não. Não pretendo ajudar-te
de modo nenhum. A minha presença tornou a tua experiência escolar facilitada e
protegida. Agora, pelo contrário, dou-me conta de que devo atirar-te na arena
sem suporte se pretendo fazer-te perceber a tua escolha.»
Degluti com dificuldade. Sabia que o facto
de que o meu pai fosse o diretor da escola tinha sido dissuasório para cada
pirraça ou maldade no que me toca. Além de que o meu liceu era uma escola
privada de altíssimo nível, onde podiam aceder apenas estudantes altamente
recomendados e em condições de superar o exame de admissão que o meu pai tinha
projetado para selecionar as melhores mentes.
Em suma, tinha vivido numa gaiola dourada e
sabia que nem todas as realidades escolares eram assim. A ideia de ser colocada
num covil cheio de leões não me deixava ficar tranquila muito embora sentia-me
preparada para afrontar qualquer realidade.
«Combinado.» Suspirei.
Uma semana mais tarde, o meu pai informou-me
que estavam à minha espera em Cookeville, em Tennessee, na Denton high School, o único liceu de um vale mais amplo, tanto até
para acolher estudantes que habitavam longe e para os quais tinha sido
construído um pequeno dormitório adjacente à cantina.
O Dia Em Que Te Encontrei - Primeiro capítulo
A Lucille tinha apenas dezanove anos quando a sua mãe a pôs no olho da rua. Permanecida sozinha, a Lucille fora para viver na descomunal herdade que herdara da sua avó. Passaram oito anos desde então e de um momento para o outro a sua meia-irmã, a Nicole, que não pôde suportar de froma alguma, telefona para ela com o intuito de lhe convidar para passar o Natal juntos e colocar uma pedra sobre o passado. A Lucille aceita e chegado lá para a ceia das vésperas do Natal, encontra o futuro marido da Nicole, o Xavier Blanc. Para o seu espanto descobre de tê-lo já conhecido cinco anos atrás. Aquele passado em comum cria subitamente uma certa sintonia entre os dois jovens, mas a Nicole não tem nenhuma intenção de aceitar uma intrusão da Lucille na própria vida. Mas então por que a convidou à festa? A Nicole tem mesmo a vontade de recomeçar ou então reaproximou-se à Lucille com segundas intenções?
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«Não consigo.» Suspirei frouxamente sem energias, olhando a minha emaciada figura no espelho. No entanto a Yvette tentava arranjar-me os cabelos num rolo de cabelos e a Margot empenhava-se para esconder aquelas profundas olheiras que pareciam não querer mais abandonar-me.
«Não digas parvoíces! Vais conseguir muito bem! É só um jantar!» Tentou tranquilizar-me a Margot pondo em mim o terceiro extrato de corretor em baixo dos olhos.
«Um jantar com a minha mãe e a sua nova família que não a vejo há mais de seis anos.» Fiz a questão de lhes recordar tentando refrear a ansiedade que estava a atenazar-me o estomago.
«É por isso que deves ir até lá! Deves demonstrar a todos eles o que perderam durante todo este tempo! Tens de fazer ver que o facto de te terem abandonado não te destruiu absolutamente e que saíste vitoriosa... Pelo contrário, agora és mais forte do que antes.» Tentou convencer-me a Yvette.
«Vitoriosa… Eu? Mas, viram-me?»
«Sim, estás esplendida!» Rebateu de imediato a Yvette com um largo sorriso.
«Não estou esplendida! Estou cansada, durmo pouco, não tenho um tostão, estou eternamente desempregada e tenho uma maré de dívidas e preocupações por causa da saúde do Chucky»
«Não fales assim! Tens de começar a ver as coisas numa perspetiva diferente!»
«Qual?» Perguntei mordaz.
«Contudo estás belíssima. Perdeste também alguns quilos.»
«Devido a uma cólica que me manteve em jejum durante praticamente uma semana. Mesmo agora não me sinto em forma.» Relembrei-lhes pensando outra vez aquando estive mal até cinco dias atrás.
«Uma cólica que contudo fez-te perder quilos dando-te esta possibilidade de entrar neste maravilhoso chapéu de coco de Chanel.» Alinhou a Margot.
«Um vestido que nem sequer poderia dar-me a ousadia uma vez que estou ao limite do suicídio.» Rebati deprimida, deixando deslizar os dedos trémulos sobre aquele maravilhoso vestido de cor esmeralda que pertencia à Yvette.
«Não tem importância. A única coisa que conta neste momento é que este vestido dá-te um ar tremendamente chic e realça os teus olhos e a tua carnação clara. Além disso tu mesma sempre disseste que não gostarias de forma alguma fazer saber à tua mãe, ou o pior ainda à tua meia-irmã, o quão estás em dificuldades economicamente e seguramente com este vestido e as louboutin da Margot, ninguém poderá trocar-te por uma coitada rapariga desgraçada. Sem contar que vives num verdadeiro palácio real circundado por hectares do jardim.»
Pena que a realidade seja bem diferente, queria responder-lhes. Há um ano esgotara toda a conta herdada da minha avó pelos contínuos trabalhos de manutenção da qual precisava aquela vivenda gigantesca. Tivera propostas de venda mas a ideia de separar-me da única coisa que me unia à única pessoa que muito me estimou, era dilacerante e impensável.
Antes de morrer a minha avó quisera deixar-me a sua quinta campestre recebida por um antepassado de sangue real. Ela amava aquela propriedade e durante anos fizera de tudo para levá-la de novo ao seu antiquado esplendor, mas os trabalhos não terminavam de maneira nenhuma e todos os anos aparecia sempre alguma nova chatice por resolver.
Enfim o dinheiro tinha acabado e encontrar trabalho era cada vez mais difícil dado que esforçava-me para me manter num posto de trabalho por mais de alguns meses.
«Aliás agora és a secretaria de um dentista!» Continuou a Yvette tentando exaltar aquele último emprego que encontrara e que iniciara apenas há dois dias.
«Para já, vocês têm razão! Não devo deixar-me desencorajar. Já sou uma mulher com vinte e sete anos, independente, com um ótimo emprego, uma casa que faria inveja a qualquer um e, coisa ainda mais importante, tenho duas maravilhosas amigas que adoro e que gostam muito de mim.»
«Nós estaremos sempre aqui para ti, Lucille!» Encoraja-me outra vez a Yvette abraçando-me fortemente, seguida logo após pela Margot.
«Além disso tens por outro lado uma fila de machões prontos para te proteger e que estão a formar uma fila atrás desta porta esperando de saltarem para cima de ti.» Exclamou a Margot rindo.
Na verdade, próprio atrás da porta podia-se ouvir vários ganidos contínuos e obedientes.
Abriu-a num ai deixando entrar a minha pequena tribo de peludos que enchiam todos os dias a minha vida de felicidade.
«Armis! Byron! Lupin! Chucky!» Gritei de tanta alegria no momento em que as minhas amigas pararam defronte para evitar que os cães pudessem atacar-me e darem cabo do meu vestido.
«Armis, aquele vestido custou-me mais do que o razoável! Ai de ti se te aproximas!» o repreendeu a Yvette tentando distanciar o ancião cão de fila maremático que era tao surdo até para não ouvir nada.
«Tu também, Byron. É inútil tentar apiedar-me.» Alinhou a Margot inclinando-se para acariciar o velho cachorro que arrastava as patas posteriores auxiliado por um carrinho que o suportava mas lhe impedia grandes movimentos.
Só o Lupin conseguiu intrometer-se entre nós não obstante o seu andar claudicante por causa da falta de uma pata anterior a menos.
«Margot, o Lupin tem uma paixão pela base.» Pus-me a rir à socapa notando como o Lupin estivesse a empenhar-se para lamber-me toda a face.
«Não, Lupin! Levei uma hora para maquilhá-la! Suma daqui, pulha!» Gritou para ele a Margot que no entanto deixara-se distrair pelo Chucky ainda débil por causa da bronquite, que apanhara estando durante dias a brincar com a neve. Já tinha catorze anos e tinha tendências de adoecer com mais frequência. Além de que desde quando se ausentara o Cabret, o seu companheiro das brincadeiras, parecia ter-se deixado levar cada vez mais pela velhice.
Depois da morte do Aaron, ter tido que suportar outrossim aquela do Cabret de apenas dois meses atrás, fora realmente difícil também para mim. Não havia um dia em que não procurava com o olhar aqueles dois cachorrinhos pretos e brancos, sempre afetuosos e famintos.
«Vais continuar a sofrer se não tomas uma decisão para escolher um cão jovem e saudável.» Tentara uma vez dizer-me a Marie, a responsabilidade do canil onde tenho o hábito de passar cada Natal para pegar um cão, desde quando ficara sozinha. Porém, infelizmente, eu escolhia sempre o mais velho e infeliz cão do canil na esperança de fazer-lhe passar os seus últimos dias da melhor forma possível.
Pedia todas as vezes “o cão que ninguém desejaria”, aquele que fora abandonado, deitado fora como rafeiro em razão de ser muito velho ou enfermo para receber ainda amor da sua mesma família.
A verdade era que eu sentia-me como eles: expulsa de casa porque não servia mais. Não poderia de forma alguma esquecer o dia em que a minha mãe pusera-me no olho da rua uma vez que não conseguia estar de acordo com o seu novo companheiro e a filha deste último.
Não empregara sequer um minuto para perceber as minhas razoes e o mal-estar para me encontrar posta de lado para dar espaço a uns estranhos que num ápice tiraram-me o afeto do último progenitor que sobrara para mim e todas as minhas coisas que inesperadamente vira-me a partilhar com uma meia-irmã metediça e prepotente.
Mas infelizmente aos seus olhos a culpa era sempre minha. Eu era aquela irascível, aquela danada com o mundo, aquela egoísta que queria as coisas para si...
Tais pensamentos atingiram-me como um soco na boca do estomago.
Tinham passados oito anos desde então e depois de um primeiro ano de tentativas de reconciliação, percebera que já tinha terminado. Não poderia mais reaver a minha família de volta.
Tinham passado sete anos a partir da última vez que tinha visto ou ouvido a minha mãe, o seu marido Hubert ou Nicole.
Passar sete anos sem um fugaz ou casual encontro. Aquela era a prova do quão Paris fosse grande e de como eu estivesse longe da sua realidade.
Todavia, depois de todo aquele tempo, agora estava ali, diante do espelho, preparando-me para festejar as vésperas do Natal com eles, depois do inesperado telefonema da Nicole onde avisava-me que tencionava pôr uma pedra sobre o passado e que queria reunir a família.
A Margot sustentava que fora precisamente aquela chamada a deixar-me ficar tao mal, vítima de uma cólica dolorosíssima que durou dias inteiros.
«Vá e arrase-os!» Desejaram para mim a Margot e a Yvette acompanhando-me ao longo da alameda da vila que estava ali bem visível depois de ter varrido a neve até chegar ao meu pequeno e velho Peugeot.
A promessa do Príncipe - Primeiro capítulo
A Yvette era apenas uma garotinha quando recebeu como prenda da avó um estranho berloque em forma de serpente. Uma joia misteriosa, ligada a uma promessa que a mulher não cumprira de maneira nenhuma. Depois de doze anos, a Yvette encontra-se sozinha, dividida entre uma irmã caprichosa e um trabalho desqualificante, mas as coisas estão para mudar... O Vašek tentou sempre de adiar o dia em que deveria fazer frente aos seus deveres e honrar a promessa feita ao seu avô, mas já não há mais tempo. Assim sendo, encontrar-se-á a procurar desesperadamente a mulher que lhe fora destinada para levá-la ao seu mundo e faze-la sua. Entre intrigas, traições, raptos e mentiras, conseguirão a Yvette e o Vašek selar a promessa que liga as duas famílias há gerações?
Prólogo
«Venham até aqui, crianças!»
«Estamos a chegar!» exclamaram duas vozinhas cristalinas
e sorridentes.
Num abrir e fechar de olhos, duas belíssimas crianças
irromperam no majestoso aposento da avó, que estava à espera delas sentada na
cama, coberta de fantásticas joias brilhantes, como mandava a tradição para
aquele dia de festa.
«Aqui estão vocês! Como já sabem, hoje é um dia especial
e desejo que cada uma de vocês escolha uma minha joia como prenda pelo vosso
decimo segundo aniversario. Força, peguem o que preferem.» Proferiu a elegante
senhora, envolvida num magnífico xaile de seda cor de marfim, brincando com o
colar de perolas, que pendia no pescoço.
Já tinham passado muitos anos, mas aquele ritual de
espalhar na cama da avó todas as suas joias e poder escolher a própria prenda
em total liberdade, era sempre esperado com ansiedade por todas as três.
A Yvette e a Gisèle, as duas adoradas netinhas, não se
deixaram repetir duas vezes e lançaram-se de cabeça para baixo na escolha da
joia mais vistosa e brilhante.
Desde quando perderam os progenitores, pouco mais ou
menos há oito anos, as duas gémeas foram confiadas à avó materna, a Louise
Chenal, uma mulher extremamente rica, em virtude da herança recebida dos seus
três defuntos maridos, mas também muito frívola e esbanjadora. Para ela, um
lindo vestido custoso, um esplendido e precioso colar com pulseiras e brincos
coordenados e o devido cuidado ao corpo eram os fundamentos adequados para uma
mulher de classe. Depois precisava aprender a arte da sedução e do sorriso... E
o joguinho estava feito!
A Gisèle levava sempre a sério todos os conselhos que lhe
dava a avó e não deixava escapar de forma alguma a ocasião para ridicularizar a
simplicidade e a fealdade da irmã que, conquanto fosse a sua irmã gémea, era
completamente diferente da outra.
A Gisèle tinha os cabelos loiros, sempre luzentes e com
mórbidos caracóis que lhe contornava o rosto e os olhos cor de chocolate,
enquanto a Yvette uns comuns cabelos castanhos, nem lisos nem encaracolados,
mas rebeldes ao qualquer golpe de escova e os olhos castanhos com uns fracos
reflexos que davam ao verde.
Além de que a adolescência com a revolução hormonal não
fora decerto clemente com ela e já tinha iniciado a pontilhar-lhe o rosto com
nojentos furúnculos que a sua irmã olhava sempre horripilada e sublevada por
não ter sido atingido pela mesma desgraça.
Apesar disto, a avó Louise bem estimava ambas, por muito
que não podia abdicar de notar como a beleza da Gisèle crescia a par e passo
com a altivez e a arrogância que faltava totalmente à outra gémea, sempre
humilde e súcubo diante dos vexames da irmã.
«Escolhi este!» Desatou a Gisèle, apresentando à avó uma
lindíssima pulseira em ouro amarelo com pedras de ónix castanhas e engastadas.
«Perfeito! Ótima escolha! Combina perfeitamente com os
teus olhos e podes tranquilamente combiná-la com o colar que escolheras no ano
transato. E tu, Yvette?”.
A garotinha estava ainda a observar a joias. Não queria
desiludir a mulher anciã, mas na verdade não sabia propriamente o que escolher.
Nunca tivera uma predileção pelo ouro e pelas pedras
preciosas, porém a comovia muito o gesto da sua avó, sabendo como as tais joias
fossem importantes para ela.
A um certo ponto, notou um estranho berloque da antiga
feitura, em forma de serpente com o rabo encaracolado. Pegou-o na mão,
fascinada por aquele objeto e o apresentou à avó.
«Yvette, este é um berloque de âmbar e prata.
Absolutamente, não te fica bem. Coloque-o onde o encontraste e procura algo
mais interessante e vistoso.» Desatou de imediato a senhora anciã,
inesperadamente enervada.
«Mas este é do meu agrado.» Sussurrou a criança magoada.
«Tens a certeza de que queres precisamente este?»
Perguntou com maior ternura a avó.
«Sim».
A avó suspirou profundamente.
«Esta é uma joia muito especial, sabes? O caracol do rabo
indica uma promessa feita... Uma promessa que eu não soube manter.» Concluiu
tristemente.
«Que promessa?» Perguntou possuída pela curiosidade a
Yvette.
«A promessa de amor que fizera ao homem que me ofertou
este berloque».
«Por que não mantiveste a tua promessa?»
A senhora pôs-se a sorrir defronte da ingenuidade da
neta.
«Na altura era jovem, tinha uma vida pela frente e não me
via pronta para retirar-me da vida mundana e partir com ele para o seu país e
contrair o matrimónio com ele».
«Então por que lhe prometeste que ias contrair o
matrimónio com ele?»
A avó fixou-a intensamente e percebeu pela primeira vez
que a neta não tornar-se-ia de maneira nenhuma como ela.
«Yvette, estás segura de que queres mesmo este berloque?»
Voltou a perguntá-la ignorando a sua pergunta, sabendo que a verdade poderia
fazer-lhe perder a estima da neta. Não era orgulhosa daquilo que fizera, mas já
era tarde demais para remediar. Preferia desfrutar das recordações da sua
juventude, quando a sua beleza conseguia fazer tremer o coração mesmo ao homem
mais frio e rígido.
«Sim.»
«Combinado. Espero apenas que tu não tenhas que pagar de forma alguma esta tua escolha».
Natal com o Chefe - Primeiro capítulo
Caroline é a assistente pessoal do Jason Walsh, um dos advogados extraordinário da City de Londres. Conhecem-se há oito anos e o entendimento e a confiança recíproca são a base da sua relação de trabalho... Ou ao menos até que não chegue o Natal. Este ano o Jason decide passar as férias, organizadas por Caroline, num resort de luxo em Cervinia com a sua última conquista, Miss Chihuahua, mas (por causa da patinha de Caroline) a sua relação amorosa complica-se e o Jason decide ofertar aquela estadia à sua secretaria. Pena que a Miss Chihuahua não tenha a intenção de perder a tal viagem, assim vai obrigar o Jason a partir na mesma sem imaginar que não estarão sozinhos no resort!
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«Caroline, por favor baixa a voz. Tenho uma dor de cabeça terrível.»
Lamuriou-se dolorosamente o Jason, poisando a cabeça sobre a escrivaninha
invadida por um maço de processos e documentos.
«Estou simplesmente a elencar as tuas tarefas para hoje. Dentro de meia
hora deves encontrar a Sandra Foster na sala de conferências, ao passo que
dentro de algumas horas estão à tua espera no tribunal para a causa Bradshow
contra Haton. Espero que estejas a estudar a alegação final que preparaste na
sexta-feira, dado que disseste que hoje querias fechar o caso.»
«Meus Deus, tenho tanta dor de cabeça que nem sequer recordo onde pus o
processo de Bradshow.»
«Estás a dormir por cima dele.» Respondeu-lhe gélida a sua assistente
determinada para não deixar-se comover.
Estava habituada às noitadas de loucura e borracheiras do seu chefe há mais
de cinco anos. Já era quase uma praxe, vê-lo chegar no escritório todas as
segundas-feiras com uma das suas enxaquecas. Por mais que tentasse sempre de
lhe evitar reuniões e encontros no tribunal no início da semana, nem sempre
conseguia.
«Tenho a cabeça que explode…»
«Esta é a terceira vez que o dizes… se achas que te vais comportar assim
também no tribunal, tenho de avisar o Michael Bradshow que está arruinado.»
«Caroline, não tens coração. Eu estou a sofrer…»
«Como todas as segundas-feiras. Jason Ezechiele Walsh, tens trinta e cinco
anos e ainda ninguém te ensinou que existem os cocktails sem álcool para evitar
as borracheiras?» o repreendeu a Caroline, chamando-o com o seu nome completo
mesmo sabendo o quão isto o deixasse aborrecido.
«Não me agrada esta veia de sarcasmo na tua voz.»
«Demita-me.»
O teria já feito se tivesse tempo para desperdiçar em longos e nojentos
encontros de trabalho para encontrar uma nova colaboradora com as tuas
competências.»
«Ou então, na verdade, é porque já sabes que nunca encontraras uma outra
valente como eu.» Ela pôs mais lenha no fogo.
O Jason ergueu finalmente o rosto a partir da escrivaninha para lhe dirigir
um dos seus olhares pestanejados e mais fascinantes com os quais fizera
encantar muitas vezes dezenas de mulheres.
«Tens razão.» Admitiu com um largo sorriso. Na verdade o Jason não poderia
de forma alguma desembaraçar-se da Caroline. Ela era a única capaz de
percebê-lo com um único olhar e do qual tinha uma total e cega confiança. Não
por outra cisa, quando deixara o escritório de advocacia Bronson & Bronson, onde conhecera a Caroline que trabalhava
como secretaria dele e um outro associado, pedira precisamente a ela para
segui-lo indo para Sailman & Baker, um dos escritórios de advocacia
mais famosos da cidade, para continuar a trabalhar juntos. Já tinham passado
cinco anos de então e seja o Jason como a Caroline não se arrependeram sequer
uma vez da tal escolha. Já viviam em simbiose e cada um conhecia tudo do outro.
Todavia entre eles nunca houve nada de mais pessoal e intimo além de algumas
escaramuças entre confidentes e jamais frequentaram-se além do horário de
escritório que em todo o caso chegava muitas vezes a cobrir mais de dez horas
diárias.
«Eu tenho sempre razão.» Aprestou-se para clarificar a mulher que adorava
fingir demonstrações de superioridade.
«E agora, aconselhar-te-ia para tomar um café bem forte e para voltar a dar
uma olhada ao processo Foster antes da reunião.»
«Traz-mo tu, não é?» Suplicou com um amuo adorável.
«Obviamente não, sabes.»
«Sou o teu chefe e…» Tentou fazer-se ameaçador, sabendo tanto mais que não
serviria para nada.
«Devo mostra-te novamente o meu contrato de trabalho que tu mesmo deste-me
pata assinar? Nas minhas atribuições não está escrito que devo trazer-te o
café.»
«Sei, já me disseste mil vezes, mas pensava que desta vez farias uma
exceção à regra. Depois se fosses tao gentil trazendo também para mim um copo
de água e uma aspirina, ser-te-ia grato por toda a vida.» Suplicou suavemente,
confiante de que ia fazê-la ceder… Como sempre. «Vou pela aspirina.» Deu-se por
vencido a Caroline saindo do escritório.
«Mas só porque faço questão para que tu faças boa figura diante do Baker,
dado que a Sandra Foster é sua cunhada». Lembrou-se que àquele encontro
participaria também um dos fundadores do escritório de advocacia, despertou no
mesmo momento o Jason da sua enxaqueca.
Num ápice abriu a documentação relativa à cliente que tencionava apresentar
uma queixa contra a sua Ex sócia que tinha usurpado todos os clientes da
companhia quando pôs-se a trabalhar por conta própria, difundindo difamações e
calúnias contra a senhora Foster, tomara sempre como base o seu sucesso na
própria integridade moral.
Mal deu-se conta da sua assistente enquanto colocava na sua escrivaninha um
copo de agua com as aspirina… e o café.
«Obrigado, Caroline.»
«Com este são cento e sessenta e quatro.»
«Cento e sessenta o quê?»
«Favores que me deves.» Fez-lhe
vir à memória, relembrando-lhe as suas súplicas.
«Tremo só de pensar no momento em
que quererás cobrar... Já estão nas tuas mãos usurarias.» Pôs-se a rir o Jason
animado pela forma como ela conseguisse sempre manter tudo sob controlo.
A Caroline retribuiu com um
sorriso diabólico antes de sair da sala.
Além de mais repartiu para ele
todo o correio eletrónico que chegou e por fim transferiu todos os e-mails privados, sempre em grande número,
que recebia no seu endereço do escritório, numa pasta externa, sabendo o quanto
esta mescla irritasse o seu chefe.
Alem de tudo já eram três anos
que tinha igualmente percebido o que podia eliminar e o que pelo contrário
devia conservar. O Jason aceitava com alívio aquela intrusão na sua vida
privada dado que detestava os e-mails
de corações partidos ou retornos de velhas paixões, enquanto a Caroline
encarava aquela incumbência com um misto de curiosidade e de frustração pelo
muito que lhe recordavam constantemente o que não poderia em nenhuma outra
ocasião ter.
Todavia naquela manhã no e-mail encontrou até duas reservas num dos
resort mais sugestivos da Itália, numa das localidades mais prestigiosas para a
pratica do esqui, Cervinia.
A Caroline teve que morder-se a
língua para não soluçar dolorosamente ao pensar de como tivesse imaginado
quando o Jason lhe pedira para pesquisar e encontrar para ele os cinco lugares
mais belos da Europa, para onde passar as férias de Natal.
Passara toda a semana precedente
a navegar entre Trivago, Lastminute e Edreams, pesquisando as localidades mais
românticas, fascinantes e renomadas no período festivo.
No fim optara por Paris, Firenze,
Nuremberga, Praga e Cervinia.
Durante a pesquisa sonhara em
passear nos Champs-Elysées e degustar o vin
brûlé vendido nas pequenas feiras de
Natal de Paris, ao invés do habitual ponto de encontro em Trafalgar Square por
baixo da árvore e o fogo-de-artifício.
Vira-se a caminhar na Praça Santa
Cruz de Firenze entre pequenas feiras, museus e eventos, como a Cavalgada dos
Magi, até chegar ao Ponte Velho durante o Festival das Luzes por baixo de um
céu estrelado e colorido pelas imagens projetadas que lançavam de um edifício
ao outro.
Tinha imaginado em encontrar-se mergulhada
num dos mais famosos e antigos mercadinhos de Natal da Europa, em Nuremberga, desfrutando
das festividades num contexto relaxado mas ao mesmo tempo excitante e jocoso.
Iludira-se por um instante em
encontrar-se mergulhada numa atmosfera antiga, gótica e ainda apegada às
tradições como aquela de Praga com as suas ruas iluminadas pelas luminárias e
com cheiros de castanhas-assadas, docinhos típicos e fruta seca tostada,
comendo um dos famosos manguitos de Boémia ainda quentes escutando um coro
gospel.
E por último optara por umas
férias mais simples e menos caóticas em Cervinia, num resort relaxante, luxuoso, mergulhado na natureza e ao pé de uma
das pistas de esqui mais belas e panorâmicas da Itália, onde se mantinha uma
especial archotada para festejar o fim do ano.
Ainda perdida naquelas doces fantasias,
a Caroline imprimiu as reservas com um meio sorriso devido ao facto de que
tinha quase apostado que o Jason optaria por aquela localidade dado que odiava
a balburdia durante as festividades e por muito que amasse Paris, não
arriscaria de forma alguma indo para lá com uma mulher por medo de dar uma
mensagem errada por causa da atmosfera romântica que viria a ser criada naquela
que era reconhecida como a “cidade do amor”.
Acabara apenas de desembaraçar-se
das suas incumbências, quando ouviu que estava a ser chamado.
«Caroline, preciso de ti.» Advertiu-a
tenso e furioso o Jason passando diante do seu local de trabalho para introduzir-se
no escritório antes que alguém pudesse vê-lo.
Preocupada, a Caroline seguiu-o
no mesmo instante e assim que fechou a porta endereçou o olhar para o seu
chefe, desatou a rir.
«Explodiu em cima de ti a máquina
do café?» Zombou dele, vendo a camisa branca do Jason completamente molhada e
emporcalhada.
«Aquele idiota de rapazote...»
«Quem?»
«O filho da Foster! Pegou o café
para a mãe e no momento em que eu estava a sair, tropeçou nos seus próprios pés
e caiu em cima de mim. Não bastava já estar atrasado para a audiência, agora
devo também encontrar nova roupa limpa em tempo recorde!» Rebentou furibundo,
despindo-se a toda pressa, imprevidente do rubor nas bochechas da sua
assistente.
Por sorte, antes que o Jason
pudesse notar a ligeira inquietação que pairava no seu rosto, a Caroline recompôs-se
à pressa e com uma certa indolência voltou ao seu local de trabalho, onde
conservava sempre um fato completo de reserva para casos como aquele.
Quando voltou ao encontro dele,
ele estava ao celular, com a cópia da sua alegação na mão e com a outra a levar
até à boca o seu café já arrefecido que abandonara na escrivaninha antes da
reunião.
Bastou um aceno da cabeça para
lhe fazer perceber que devia ajudá-lo a vestir a camisa logo que terminasse a
conversa com um cliente.
Com um olhar impassível, fruto de
anos de controlo muscular facial, a Caroline achegou-se e sem deixar-se levar
por aquele cheiro da sua pele misturado com aquele do seu habitual colonia e do
café com leite pingado, limpou-lhe o peito imediatamente com um toalhete húmido
e enfiou um seu braço dentro da manga da camisa engomada.
«Estou suficientemente
apresentável?» Perguntou-lhe o Jason mal concluiu o telefonema, enquanto a
Caroline tentava abotoar a sua camisa.
«Aceitável.» Resmungou a
secretaria, tentando controlar a respiração e os batimentos cardíacos.
«As mulheres vem-me fascinante,
sabes? Nenhuma usou por caso o termo “aceitável” comigo.»
«Se calhar nenhuma mulher
percebeu que o teu bronzeado é devido as lâmpadas às quais te expões
praticamente todos os finais de semana. Se soubessem, perderias dez pontos em
fascino por excessivo narcisismo.»
«Trabalho pouco mais ou menos
sessenta horas por semana. Onde achas que eu consiga encontrar o tempo para
apanhar o sol?»
«Isso não deves dize-lo a mim. Eu
limito-me a reservar sessões no centro estético.»
«As outras mulheres não
entender-me-iam.»
«Se apenas tomasses a decisão
para escolhe-las com um quociente intelectivo superior do que um peru no forno.»
«És severa demais. Tens sempre o
que objetar sobre todas as mulheres que frequento. Se não te conhecesse bem,
pensaria que estás com ciúmes.»
«Ciúmes por um homem que não sabe
distinguir uma mulher de uma tola? Longe de mim tal ideia.»
«Detesto quando ages assim.»
«Tens três minutos para sair
daqui e correr para o tribunal.» Fez a questão de lhe recordar a Caroline que
começava a sentir o peso daquela conversa.
«Bolas!» Descarregou a cólera o
Jason, enfiando-se a toda a pressa o casaco e o sobretudo.
«Ah, estava a esquecer...
Chegaram os bilhetes para a reserva no resort.»
«Oh, tinha-me esquecido. Já não
me servem mais... Nas vésperas tenho um encontro com aqueles da Marshall Company. Anule a viagem, por
favor.» Consegui apenas dizer-lhe, antes de fisgar-me para o elevador e correr
para a audiência.
mercoledì 21 agosto 2024
Atração de Sangue - Primeiro capítulo
Vera acabou de descobrir a existência de vampiros e agora tem que escapar. Numa fuga entre Dublin e Londres, Vera torna-se a presa de uma espécie sanguinária e feroz, porque no seu sangue esconde-se a arma para destruir a raça vampírica. A persegui-la está Blake, um dos vampiros mais antigos e fortes do mundo, mas um estranho destino lhes está reservado. Aquele que devia ser um confronto entre o bem e o mal resultará numa estranha e explosiva atração que mudará os rumos das suas vidas, revelando os segredos que se escondem no passado de ambos.
PRÓLOGO
16 de
novembro de 2018
«Vera
Campbell».
Acenei com a
cabeça em concordância.
«Dezassete
anos. Cabelos e olhos castanhos, rosto pálido, não particularmente alta, demasiado
delgada... Em resumo, insignificante» comentou a madre superiora com um tom
carregado de desprezo, fazendo deslizar o olhar sobre o meu corpo em pé, diante
dela, tenso como uma corda de violino.
A enésima
punhalada nos confrontos do meu físico pouco vistoso. Já o sabia, ouvi-lo dizer
tornava a coisa ainda mais óbvia e brutal.
«Das notas do
teu último boletim escolar, parece-me que por baixo do aspeto físico também
exista muito pouco» continuou a freira com voz severa e maligna, folheando o
meu fascículo pessoal que cobria a sua poderosa secretária.
«Verdadeiramente,
nunca tive uma insuficiência no boletim escolar e esforço-me...» protestei.
Tudo bem que eu era desagradável à vista, mas ignorante não!
Para além
disso, não era culpa minha se tinha faltado muitas vezes às aulas por causa da
minha saúde.
«Por acaso,
disse-te que podias falar?» gritou a mulher cheia de indignação.
Senti-me
desfalecer. Há quase vinte minutos que permanecia ali, em pé, em tensão,
perante a reitora do colégio católico, onde passarei, de certeza, ao menos os
próximos dois meses, longe da minha tia Cecília, o meu único verdadeiro ponto
de referência. Sem contar tudo aquilo que passei nos últimos dias, nem com o
verdadeiro motivo daquela estadia forçada!
«Órfã de mãe.
Pai desconhecido. Confiada à guarda de Cecília Campbell, uma freira que
abandonou o hábito para tomar conta da sobrinha. Mmh... Aqui diz também que
estás doente... Uma forma muito rara de anemia» Leu a madre superiora numa
outra folha com um tom de puro desprezo.
Pareceu-me
receber uma bofetada em plena face. Não estava habituada a provocar repugnância
quando se falava da minha saúde. Geralmente, era rodeada de carinho e
compreensão.
«Tem aqui até
mesmo uma recomendação em relação à tua dieta. Rica de proteínas e muita carne
de porco ou bovina, mal passada. Nada de aves» comentou a mulher, como se
estivesse prestes a vomitar.
Não consegui
concordar. Sentia-me o alvo principal daqueles olhos cinzentos, que pareciam
querer atravessar-me como punhais.
«Como se não
bastasse aqui está escrito também que deves beber, pelo menos uma vez por mês,
50 cl de liquido retirado do sistema arteriovenoso de porcos ou bovinos... Onde
já se viu! Beber sangue animal? Isto é escandaloso!» deixou escapar a reitora,
com o rosto todo vermelho de repulsa, continuando a ler o meu processo, no
qual, aparentemente, alguém se tinha dado ao incómodo de escrever sobre mim e
sobre a minha vida.
Apetecia-me
responder-lhe que aquele era o único modo para manter-me viva e que a minha tia
tinha feito mil sacrifícios para salvar-me, depois que lhe fui confiada após a
morte da minha mãe, que faleceu pouco depois do parto.
Para além
disso, a minha tia dizia sempre que beber sangue não era assim tão chocante,
pois em certos países do oriente era habitual beber o sangue quente de cobra
para combater os reumatismos logo, não era uma coisa assim tão estranha.
«O teu médico
não sabe que hoje em dia existem as transfusões?».
«Sim, mas
infelizmente descobriu-se que para haver benefícios mais imediatos e
prolongados no tempo, o meu organismo reage melhor quando também está envolvido
o aparelho digestivo» sussurrei, tropeçando nas palavras. Nem mesmo eu tinha
percebido verdadeiramente o motivo pelo qual as transfusões não me fortaleciam
tanto quanto beber a minha “hemodose”, como lhe chamávamos a minha tia e eu.
Às vezes, a
anemia conseguia enfraquecer-me a ponto de perder os sentidos. Bastava o meu
“remédio” e rapidamente recuperava a minha audição e vista perfeitas e a
sensação de fadiga, que sentia anteriormente, desaparecia por completo.
A madre superiora emitiu um longo suspiro,
deixando-se afundar na poltrona dura e negra, sobre a qual estava
confortavelmente sentada, enquanto eu nem sequer tinha tido a autorização para
me sentar.
«Se estás aqui,
é só porque o cardeal Siringer me pediu pessoalmente, mas quero deixar bem
claro que isto não é um refúgio para desadaptados, mas um ilustre colégio, que
segue e respeita a vontade do Senhor».
O padre
Dominick já me tinha falado daquele prestigioso colégio, antigo castelo de
Melmore, que se erguia sobre as ruínas sagradas da Melmore Abbey, uma das
abadias mais antigas e que resistiu às diversas guerras na Irlanda. Sabia que
ali estaria segura, mas naquele momento sentia-me numa prisão escura e fria.
Até o clima me era adverso. O inverno estava a chegar e sabia que por muito
tempo não voltaria a ver o sol. Para além disso, aquela zona era muito propícia
a precipitações e muros de neblina.
Se quisesse
sobreviver, tinha que encontrar alguma coisa bela, caso contrário
enlouqueceria.
«Bem. Podes ir.
Encontrarás a Irmã Agatha que te acompanhará ao teu quarto, onde estarão dois
uniformes que deves vestir sempre, uma roupa de ginástica e o horário das
aulas, que deves começar a frequentar a partir de amanhã de manhã.
Tens uma hora
para guardar as tuas coisas e dirigir-te à igreja para a missa. Sê pontual»
dispensou-me a madre superiora com um aceno de mão.
Fiz tanto
esforço a mover-me e a voltar-me que tive a impressão que tinha criado raízes.
Não disse nada,
voltei-me, abri a porta pesada e saí.
Mal cruzei a
saída do escritório, aproximou-se nervosamente de mim uma freira de meia-idade,
que tinha ficado todo aquele tempo à minha espera no exterior, sentada numa
cadeira cor de nogueira escura. «Sou a Irmã Agatha. Tu deves ser a Vera
Campbell, a recém-chegada. Vem. Acompanho-te ao teu novo quarto, o qual
dividirás com a Maria Kelson, uma tua coetânea. É um pouco tímida, mas muito
devota ao Senhor… Não me surpreenderia se no futuro decidisse fazer os votos»
explicou a religiosa absorvida pelos seus pensamentos. À minha volta, abriam-se
corredores e escadas de pedra frios e húmidos. O silêncio que reinava naquele
lugar era arrepiante.
Escutava apenas
o rumor dos nossos passos. Parecia que tinha sido improvisadamente projetada
para outra época. Sinceramente, não acreditava que lugares como aquele pudessem
ainda ser habitados e, muito menos, usados como colégio para jovens.
Continuava a
olhar em meu redor chocada. À direita encontravam-se janelas estreitas e altas,
de aspeto gótico, que tornavam a atmosfera ainda mais sinistra. Fiquei tão
impressionada com a austeridade daquele lugar, que mal escutava as palavras da
freira, que continuava a falar mecanicamente: «Depois das novas leis acerca da
integração, também o nosso colégio teve que se adaptar, assim esta instituição
é aberta tanto ao sexo masculino, como ao sexo feminino. No rés-do-chão estão
as salas de aula, o ginásio e o refeitório, enquanto no segundo piso fica o
dormitório. A ala oeste é reservada ao sexo masculino e a ala este às miúdas.
No terceiro
piso, como pudeste notar, situam-se os diversos escritórios e os quartos
privados dos professores, para além de uma grande biblioteca, à qual poderás
aceder apenas com a autorização da Irmã Elizabeth. A capela ocupa a inteira ala
a norte, mesmo em frente às hortas e aos estábulos.
Para chegar a
estes é necessário sair e dar a volta ao colégio.»
A Irmã Agatha
continuava a falar com o seu tom plano mas vigoroso. Também ela não parecia
particularmente gentil ou calorosa. Seria possível que ninguém mostrasse um
pouco de compaixão perante as novas reclusas?
«Recorda-te
também que nos corredores não se grita, não se corre e deve-se respeitar os
horários. O pequeno-almoço é às 7h00, o almoço às 12h00 e o jantar às 19h00,
depois da missa das 18h00. Lembra-te de usar sempre o uniforme da escola quando
saíres do quarto e de nunca deixar os teus pertences pessoais espalhados pelo
quarto ou te serão apreendidos e jogados fora».
Aquela não era
uma prisão, mas pior!
Descemos as
escadas, percorremos um longo corredor para depois virar à esquerda e
metermo-nos num outro corredor sombrio com paredes húmidas e escuras. Sentia a
humidade penetrar-me nos ossos e um cheiro a mofo enchia-me os pulmões,
fazendo-me sentir náuseas.
«Este é o
dormitório. O teu quarto é a terceira porta à direita. O banho fica ao fundo.
Prepara-te que daqui a cinquenta minutos vamos rezar» concluiu a irmã, antes de
ir embora.
«Obrigada»
sussurrei, mas da minha boca saiu apenas um pequeno sopro inconsistente.
Percorri
sozinha os últimos metros e abri aquela terrível porta de madeira escura com a
maçaneta preta, que escondia o meu quarto. Bastou-me uma rápida olhadela: duas
camas, duas mesinhas de cabeceira, dois armários para conter o mínimo
indispensável, duas pequenas mesas com duas cadeiras e um enorme crucifixo ao
centro.
A minha mala e
algumas roupas estavam sobre a cama da esquerda, enquanto na cadeira ao lado da
cama da direita, estava sentada uma rapariga atenta a ler o livro “Nas mãos de
Deus”.
«Olá, sou a Vera
Campbell, a tua nova companheira de quarto. Tu deves ser a Maria?» tentei
dialogar.
A rapariga
levantou os olhos do livro e acenou com a cabeça sorridente.
Tinha o rosto
redondo e sardento. Os cabelos castanho claros estavam apanhados em uma cauda
de cavalo e os olhos verdes pareciam gentis.
Usava o
uniforme que, brevemente, também eu teria que vestir: um fato azul de corte
muito sóbrio e com o desenho da abadia bordado no bolso do peito e uma camisa
branca.
O meu primeiro
pensamento foi que o azul não me ficava bem, mas estava demasiado cansada para
preocupar-me com isso.
Lentamente,
abri a mala. Continha apenas o mínimo indispensável que consegui trazer de
casa, antes da fuga inesperada que tive que fazer.
Por cima do
monte de vestidos, coloquei uma foto minha e da tia Cecília abraçadas em frente
à cancela da quinta.
Ver aquela
imagem fez-me coçar os olhos.
Quanto me fazia
falta!
Gostava que
tivesse estado ali comigo!
Seguramente
nunca teria permitido que alguém se dirigisse a mim da forma como tinha apenas
acabado de o fazer a madre superiora.
Posei a foto
sobre a mesa-de-cabeceira. Queria-a por perto, na medida do possível.
«Desculpa, mas
é melhor que guardes aquela foto na gaveta da mesa-de-cabeceira, caso
contrário, amanhã será deitada fora» disse-me a Maria, aproximando-se de mim.
«Mas eu...».
«Eu sei, eu
sei. Também me aconteceu o mesmo... e na manhã seguinte a foto da minha avó não
estava mais aqui. Acredita em mim» assegurou-me com voz cândida.
Com um suspiro
desconsolado, guardei a foto. Era demasiado preciosa para permitir que alguém a
jogasse no lixo.
Ordenei os
vestidos e os objetos pessoais.
Estava prestes
a guardar a mala, quando me dei conta que faltava alguma coisa.
O estojo de
maquilhagem.
«O meu batom, a
minha máscara, as minhas sombras... desapareceram!» gritei indignada.
Olhei a Maria.
Ela limitou-se
a encolher os ombros e explicou-me: “Perdidos! As freiras controlaram-te a
bolsa, como fazem sempre às recém-chegadas e deitaram-te fora aquilo que aqui
não te serve».
Queria gritar!
Não tanto pelos cosméticos deitados fora, mas porque detestava as pessoas que
vasculhavam nas minhas coisas privadas!
Praticamente no
limite das minhas forças, mudei de roupa perante o olhar embaraçado da Maria,
que voltou a ler sentada na sua cadeira.
Tinha razão: o
azul não me ficava particularmente bem!
Olhei para o
relógio. Tinha ainda vinte minutos antes da missa. Dei mais uma olhadela ao
quarto.
Tinha as
paredes acinzentadas e os móveis cor de nogueira escura.
Resumindo,
deprimente. Como tudo o resto.
Atirei a mala
ao chão e joguei-me sobre a cama.
Queria apenas
esquecer. Fechei os olhos.
A imagem de
dois olhos cor de gelo que me atravessavam surgiu imediatamente na minha mente.
Uma série de
arrepios percorreu-me toda a coluna.
Vacilei de
medo.
Ele outra vez!
Era um tormento. Era culpa sua se me encontrava ali.
Estava tão
cansada! Queria tanto ouvir a voz da minha tia Cecília que me tranquilizava,
como fazia sempre que alguma coisa corria mal.
Tentei pensar
nela e visualizar mentalmente o seu rosto sorridente, mas não consegui afastar
aqueles terríveis olhos azuis.
Finalmente, sem
aperceber-me, adormeci.
Estava exausta
e incapaz de ver o meu futuro.
Há apenas um
mês, a minha vida tinha sido interrompida e agora não sabia mais quem era nem
para onde ir.
Tudo tinha
mudado.
Dark Desire - Primeiro capítulo
1
«Onde estiveste ontem à noite?», agrediu-me de imediato o Gabriel.
«Tinha-to dito que ficava para estudar com a Eliza e a Hope. O exame de curso complementar aproxima-se e estou atrasada com algumas disciplinas», justifiquei, entrando no apartamento do rapaz.
«Estava também aquele teu colega de turma? Aquele que não te dá paz», procurou saber ele nervoso.
«Quem? O Romeo?»
«Não pronuncie tal nome na minha presença!», de repente ele ficou enfurecido, dando um murro na parede, que se encontrava nas minhas costas. Desde quando vira o Romeo colocar um braço em volta das minhas costas e tentar beijar-me contra a minha vontade, era proibido falar dele na sua presença. Levara uma semana para tranquilizá-lo, convencê-lo para não esmurrá-lo e tentar salvar a nossa relação já minada pela desaprovação dos meus progenitores, pela diferença de idade e pela rede de negócios pouco credíveis do seu pai.
«Gabriel, amo-te, sabes», tentei sossegá-lo. Depois de um ano, tinha aprendido a conhecê-lo suficientemente bem para saber que aquelas cenas de ciúmes podiam apenas levar a impulsos de ira incontroláveis se tivesse optado pela mesma atitude dele, mas fiquei pelo contrário tranquila. Se bem que ele tinha cinco anos a mais no que me diz respeito, por vezes tinha a impressão de ser a mais velha e madura do que ele.
«Tenta mentir para mim e...», começou a ameaçar-me, pegando o meu queixo com a mão e segurando a minha cabeça inclinada para com ele. Os seus olhos pretos fixados nos meus de cor castanha. No seu olhar podia ler todo o seu tormento. Sabia que me amava mas sentia o seu medo de me perder.
Pouco mais ou menos um ano mais tarde tornara-me o seu mundo, a única coisa pura e maravilhosa da sua vida, como dizia muitas vezes para mim.
«Amo-te. Bastante para te trair. És a coisa mais bela e importante da minha vida», sussurrei suavemente para ele, pegando o seu rosto com as mãos e acariciando-lhe a maxila contraída.
Aquele gesto funcionou e lentamente acalmou a presa.
«Eu também te amo. Não sei o que faria se tivesse que te perder.»
«Nunca vai acontecer.»
«Prometa para mim.»
«Juro», pronunciei aproximando-me a ele para beijá-lo.
«Se quebrar este juramento não sei se conseguirei por acaso perdoar-te», sibilou o Gabriel antes de se apossar da minha boca com avidez até deixar-me perder a cabeça em face de um beijo impressionante.
O Gabriel era assim: instável, irascível, agressivo, possessivo, rude, mas sabia por outro lado ser o homem mais meigo e gentil do mundo.
A minha melhor amiga a Hope estava assombrada por aquele rapaz de vinte e quatro anos, filho de um traficante e de uma mulher toxicodependente. Nele, via apenas os genes enfermos e os crimes da sua família.
Também a minha estimada amiga Eliza não vira com bons olhos esta nossa relação inicialmente, porque temia que far-me-ia sofrer, mas depois vira como o Gabriel tratava-me quando estava tranquilo e isto a deixara muito sossegada, tanto até para torcer pela nossa história de amor e dar-me cobertura quando passava a noite em casa do rapaz.
Num ai, o Gabriel enfiou as mãos por baixo do meu top [tipo de blusa] azul e desapertou o soutien, sem cessar de me beijar.
Deixei-o fazer e auxiliei-o, levantando os braços para facilitá-lo enquanto me despia a roupa.
«És bela para o caramba», sussurrou o Gabriel afastando-se da minha boca e admirando o meu seio entre as suas mãos que apertavam-no.
Cobri-me o peito pelo embaraço. O seu olhar excitado fitado em mim tinha ainda o poder para me assustar e não conseguia habituar-me àquela sensação.
«Sabes que não quero», chateou-se agarrando os meus pulsos e levando-os para trás das costas, onde as manteve bloqueadas com uma mão, enquanto com a outra recomeçou a acariciar-me até endurecer os mamilos já sensíveis e turgidos. «Fenomenal, minha pequena», murmurou o Gabriel sentindo-me a gemer e a entregar-me toda. Adorava sentir-me a perder o controlo e deixar-me desnorteada entre os seus braços. «Deixas-me louco, sabes?», disse para mim enquanto beijava-me, lambia-me os mamilos para depois chupá-los avidamente.
Fiquei firme como queria ele, arrasada pelas ondas impetuosas de prazer que estava a dar-me e que propagavam-se por todo o meu corpo, fazendo-me contrair dolorosamente o baixo-ventre.
Pus-me a sorrir desfrutando daquela excitação que me deixava maleável nas suas mãos e aquela sensação que inicialmente que me deixara assustada e feito praticamente escapulir-se do Gabriel. Agora pelo contrário a desfrutava até profundamente, impaciente para atingir o orgasmo.
«Dispa-te», ordenou-me explosivamente, despindo a camisola, abrindo o fecho das calças jeans consumidas e colocando o preservativo.
Obedeci. Despi as polainas, as cuecas e os ténis. Não fui lesto para tirar as peúgas e eis que o Gabriel me agarra pelas ilhargas e carrega-me para cima.
Grudei-me a ele, colocando as pernas em volta das ilhargas e e os braços no pescoço.
Beijei-o e estremeci quando senti os seus dedos deslizando dentro de mim.
«Estás pronta», constatou satisfeito pelos meus humores que lhe ensoparam a mão.
«Estou pronta desde quando entrei aqui dentro», disse para ele sabendo de estar a deixá-lo excitado cada vez mais, desde quando me confessara que achava excitante saber que a sua mulher já estava molhada e pronta para se deixar fornicar ainda antes dos preliminares.
«Francamente, tu deixas-me perder a cabeça para o caramba, minha pequena», gemeu ele fixando a sua vista obscurecida em mim pelo prazer que lhe fazia dilatar as pupilas e contrair a maxila de tal modo que não sabia de forma alguma como pudesse tornar-se brutal e predador quando estava nas suas mãos.
Estava para lhe responder mas senti a ponta do seu pénis a penetrar-me.
Fiz uma profunda respiração e tentei ficar relaxada porque aprendera durante aqueles meses que a tensão tornava a penetração dolorosa, principalmente quando esta vinha feita com um membro tao grosso até para me preencher completamente.
«Amo-te, Aria», disse para mim o Gabriel entrando com força dentro de mim. Reparei-o por um segundo e podia ler o que sentia por mim e a forma como o deixassem sofrer as diferenças entre nós os dois, a partir da idade até ao extrato social. Esta diversidade tornara-se muitas vezes fonte das brigas entre nós e temia sempre que crescendo fartar-me-ia dele e da sua vida miserável.
Mas eu amava-o desmedidamente para pensar que algo separar-nos-ia antes ou depois.
Estava para lhe responder mas empurrões tornaram-se cada vez mais intensos e rápidos, tanto assim para me deixar aos gritos.
O Gabriel tapou a minha boca com um beijo e eu vi-me sem fôlego, com as costas contra a parede e as pernas que apertavam com força em volta da sua cintura.
«Quero que atinjamos junto o êxtase, minha pequena», ordenou-me acariciando-me com o polegar o clitóris inchado e sensível.
Consenti mordendo-me o lábio para conter o prazer que estava a sentir.
«Gabriel, não consigo», confessei sentindo-me a um passo do orgasmo, enquanto o seu pénis contraia-se e inchava-se cada vez mais dentro de mim, tocando os meus pontos sensíveis que não acreditava que tivesse.
«Venha... Agora», grunhiu o Gabriel, aumentando a força dos empurrões e esmagando-me ainda mais contra a parede.
As contrações do seu pénis entraram em colisão com as minhas, tanto assim para sentir a dor. Uma dor que fundiu-se automaticamente num prazer líquido e intenso que fez girar a minha cabeça e perder o fôlego.
Foi um orgasmo duradouro e excitante, assim como aquele do Gabriel. Quando o meu corpo aquietou-se, dei-me conta de estar a tremer.
«Estás bem?», perguntou-me preocupado.
«Eu... Acho que si.»
«Às vezes esqueço que és apenas uma garotinha e que devo fazer devagarinho.»
«Não, estou bem», agitei-me. Detestava aquele tom de compaixão e remorso já que tinha apenas dezanove anos e ele fora o meu primeiro verdadeiro rapaz.
Pegou-me pelo braço e deitou-me delicadamente na cama.
Colocou-se ao meu lado e abraçou-me com ternura.
Suspirei bem-aventurada, desfrutando aquela doçura que só ele sabia dar-me.
Pousei a cabeça no seu antebraço musculoso e tatuado e deixei vaguear a mão direita sobre os peitorais esculpidos e sobre os abdominais desenhados e cinzelados em virtude das intensas horas passadas no ginásio.
Passei os dedos sobre a âncora tatuada na crista ilíaca esquerda e depois fi-los deslizar sobre o pergaminho flamejante com a escrita Criminal no peito.
«Agora está melhor?», perguntou-me pouco tempo depois, continuando a acariciar-me as costas, os cabelos e o rosto.
«Gabriel, não quero que te preocupes tanto assim por mim. Estou bem, ok? Sinto-me sempre bem quando estou aqui contigo.»
«É normal se me preocupo por ti, minha pequena. És a coisa mais importante que tenho. Faria qualquer coisa para estar contigo.»
«Eu também», respondi, beijando-o e deixando-me de novo levar por aquele rio de emoções que só ele sabia dar-me. Estávamos de novo para fazer o amor, quando o celular do Gabriel tocou.
«Quem pode ser o filho da puta que quer-me chatear?», fundamentou abrindo a chamada.
Se bem que não era em viva voz, ouvi a voz histérica e apavorada do Mike, o amigo do Gabriel. Informava-lhe para fugir porque estava a chegar a polícia para capturá-lo. Ao que parecia um certo Jude tinha feito uma denúncia e viera ao conhecimento de todos o seu nome entre os traficantes que vendia a droga do seu pai.
«Foda-se!», rosnou o rapaz concluindo a chamada e correndo para se vestir.
«O que está a acontecer?», fiquei preocupada.
«Vista-te e volta logo para casa, ok? Não digas a ninguém que estiveste aqui!»
«Gabriel, o que está a acontecer...»
«Caramba, faças como to disse, Arianna!», enfureceu-se usando o meu nome de batismo e usando as calças de ganga.
Eu também vesti-me mas o medo por aquilo que podia acontecer com o Gabriel semeou pânico em mi e pus-me a chorar assustada.
«Minha pequena, está tudo controlado, ok?», tentou tranquilizar-me dando-me um beijo na boca e acariciando-me o rosto com gestos rápidos e nervosos.
«Não minta para mim. Começaste a traficar como o teu pai e agora veem para te prender, não é?»
«Sim, mas...»
«Prometeras que não o farias! Cinco meses atrás te perguntara se fazias coisas ilegais como o teu pai e tu jurara para mim que não, pelo contrario...»
«Era a verdade, mas agora as coisas mudaram e preciso de dinheiro desde quando me demitiram na oficina mecânica.»
«Se fores à prisão, eu... A gente não vai-se ver mais... eu não vou conseguir ficar sem ti», desatei aos choros cada vez mais fortes, agarrando-me a ele.
«Prometa-me que qualquer coisa que venha a acontecer, vais tu continuar a amar-me.»
«Juro para ti», pronunciei entre soluços.
«Agora tenho que desaparecer por algum tempo mas voltarei muito em breve, está bem?»
O Gabriel distanciou-se de mim e eu vi-me a tremer em razão do medo como se tivesse perdido tudo o que me deixava feliz.
Vi-o a abrir a porta do seu apartamento, mas não foi flexível para pôr um pé fora de casa que foi dominado por dois agentes da polícia que esperavam-no à saída.
Encontrei-me a gritar aterrorizada pelas maneiras rudes e violentas com as quais vinha capturado.
Depois um polícia veio ter comigo e massacrou-me com perguntas às quais não respondi. Estava muito ocupada olhando o Gabriel e o que estavam a fazer com ele.
Por fim, o policia arreliado, pegou-me e algemou-me.
«Não fiz nada!», agitei-me tentando empreender uma fuga.
«Deixem-na em paz! Ela não tem nada a ver com tudo isto», intrometeu-se o Gabriel furioso ao ver que estavam a pôr as mãos em mim.
Aquilo que aconteceu depois foi tao veloz que não me lembrei de tudo, mas só que o Gabriel acabou por esmurrar o polícia antes que conseguisse algemá-lo definitivamente e levar-nos ambos para a central onde nos separaram.
Submeteram-me às análises de sangue para averiguar se estava sob efeito de estupefacientes e procuraram perceber se tinha sido estuprada pelo meu namorado.
Aquela foi a última vez que vi o Gabriel sem grades.
Depois consegui outra vez encontrá-lo na prisão em Lewes algumas vezes mas depois conclui o curso complementar e o verão e tive que ir à universidade em Londres para onde me transferi para fazer direito.
«Prometa-me que vais-me esperar», foram as suas últimas palavras.
A minha resposta fora um sim porque o amava mas depois envolvera-se numa rixa e a sua pena de detenção alargara-se logo a seguir à transferência para uma outra cadeia em Birmingham e eu tomara a decisão de renunciar a ele. Para sempre.














